Fumaça, trilhos e memória: exposição revive era do carvão em Criciúma

Da Redação | Criciúma (SC)

A galeria de arte da Associação Empresarial de Criciúma (Acic) recebe, no dia 9 de julho, às 19h30, a abertura da exposição “Locomotivas”, nova ação do projeto de cultura da entidade. A mostra reúne obras dos artistas Edi Balod e Sergio Brody, em um percurso visual que revisita o universo dos trens, da linha férrea e da história do carvão no Sul catarinense.

As telas serão apresentadas como janelas para um tempo que permanece vivo na memória regional. Elas retratam o cotidiano, as paisagens e as vidas no auge da mineração, trazendo à superfície lembranças de uma Criciúma marcada pelo som das máquinas, pela fumaça dos comboios e pela presença simbólica da ferrovia na construção da cidade.

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No centro da proposta artística estão também as cunhas, os pregos utilizados na fixação dos trilhos. Nas obras, elas aparecem como elementos de sustentação, permanência e memória. Mais do que matéria, tornam-se símbolo daquilo que liga o carvão, os caminhos ferroviários e a identidade cultural da região.

“Essa exposição reforça o propósito principal do Cultura Acic: reconhecer e valorizar a cultura e os artistas locais. Será uma viagem no tempo, proporcionada por artistas que vivenciaram essa época”, diz a coordenadora do projeto, Iara Gaidzinski.

Vivência

Para Edi Balod, a temática sempre esteve presente em seu olhar artístico e afetivo. “Sempre fui envolvido com isso e comecei uma produção pelo prazer de desenhar, de pintar, de curtir a temática, que é muito representativa. Conversei com o Brody e sugeri trabalhar em conjunto a ideia de uma exposição sobre a ferrovia, a exploração do carvão, a linha férrea, as locomotivas, os vagões, a produção. É um contexto da região Sul catarinense”, afirma.

Balod destaca que a exposição nasce também de vivências pessoais. Ele relembra o período em que atravessava a cidade pela ferrovia para chegar ao Colégio Michel, enquanto Brody também carrega suas próprias memórias dos vagões e dos bairros cortados pelos trilhos.

“Nós vivemos intensamente esse período, e agora procuramos mostrar, através das artes plásticas — escultura, pintura, desenho, instalação — uma realidade que ainda faz parte do nosso contexto, do nosso imaginário político, econômico e artístico”, completa.

A exposição, segundo Sergio Brody, surgiu de uma troca espontânea entre os dois artistas. Durante uma visita à casa de Balod, ele se deparou com um quadro formado por pregos em sequência e viu ali o ponto de partida para uma nova criação. “Olhei aquele quadro e pensei em fazer um desenho inspirado nele. Levei esse quadrinho e fiz uma locomotiva. Daí ele (Balod) se encantou, porque resgatou o nosso tempo, a nossa infância”, conta.

Brody também ressalta a presença da fumaça nas obras como um elemento de memória coletiva. “Nas nossas obras tem muita fumaça, porque lembra a época em que o trem passava e aquela fumaça cobria o bairro todinho. Era preciso tirar a roupa do varal porque, se não tirasse, ia ficar preta da fumaça do trem. Esse foi um dos elementos que resgatamos em conjunto”, relata.

A partir de 9 de julho, a exposição “Locomotivas” estará aberta à visitação pública de forma gratuita, como em todas as ações do Cultura Acic.

 


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